28/07/2010 - 14h05
Filme do centenário corintiano ignora Libertadores e falha ao retratar alma da torcida
Lello Lopes
Em São Paulo Resumir 100 anos em 100 minutos não é fácil. Ainda mais se o assunto envolver a paixão de milhões de torcedores. “Todo Poderoso: O Filme – 100 Anos de Timão” se propõe a isso. E falha na hora de retratar a alma do torcedor corintiano em um dos seus pilares: o sofrimento.
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O filme, que entra em cartaz nesta sexta-feira em São Paulo, ignora completamente um dos maiores traumas da torcida corintiana, a falta da conquista da Copa Libertadores. O campeonato não é citado nenhuma vez nos 100 minutos de exibição.
O jejum de 23 anos sem conquistar títulos, entre 1954 e 1977, também é pouco lembrado. O período, que corresponde a quase um quarto da história do clube, ganha pouco espaço na tela. Aparece com casos pontuais, como a quebra do jejum de 11 anos sem vitórias sobre o Santos, em 1968, a morte dos jogadores Eduardo e Lidu, em 1969, e a invasão ao Rio de Janeiro, em 1976.
Ocultar o sofrimento é ignorar a alma corintiana. A força da torcida foi cunhada com os 23 anos de jejum. Não é por acaso que até hoje os torcedores cantam “corintiano, maloqueiro e sofredor, graças a Deus”.
No meio do filme, o atacante –e hoje comentarista- Casagrande resume bem esse sentimento: “a torcida do Corinthians torce pelo Corinthians. Eles podem até te adorar depois. Mas enquanto você está jogando eles torcem pelo Corinthians”. E o torcer pelo Corinthians vai muito além dos resultados.
Dos momentos ruins, apenas a queda para a Série B ganha destaque. O goleiro Felipe e o presidente Andrés Sanchez falam sobre o rebaixamento. “Foi o pior dia da minha vida”, revela Andrés.
Depois, é claro, o ressurgimento da equipe. A volta à primeira divisão e os títulos do Paulistão e da Copa do Brasil do ano passado encerram a narrativa, iniciada com a reconstituição do nascimento do clube, sob a luz de um lampião, em 1910.
“A gente conta passagens dramáticas, mas o filme não tenta entrar no apelativo ou no pastelão”, justifica um dos co-diretores do filme, Ricardo Aidar.
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Apesar de não retratar fielmente a alma corintiana, a versão chapa-branca da história do time pode agradar os torcedores. Afinal, muitos ídolos dos clube relembram títulos e momentos marcantes. Neto, Marcelinho Carioca, Basílio, Wladimir, Tobias, Geraldão, Luizinho, Sócrates, Palhinha e até o presidente Lula, entre outros, prestam depoimento.
Alguns desses depoimentos chegam a emocionar. Como o de Amílcar Barbury Filho, herdeiro de Amílcar Barbury, o primeiro corintiano a jogar pela seleção brasileira, há 90 anos. Ou o de Tia Dircer, torcedora-símbolo da equipe, que pede para ser cremada com a camisa do Palmeiras, para “botar fogo naquilo”.
E, para brindar o torcedor, imagens raras de um amistoso entre Corinthians e Bologna, disputado no Parque Antarctica (estádio do arquirrival Palmeiras) em 1929 e que estava no Museu do Imigrante, em São Paulo.
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